ESG, a sigla que pode salvar o mundo!

As empresas já perceberam a importância de adotar políticas internas e ações alinhadas aos critérios ESG, seja porque essa postura está alinhada aos seus valores e propósito, ou mesmo porque precisam garantir competitividade e subsistência. Não importa a motivação por trás, contanto que a mudança ocorra para o bem de todos os stakeholders (clientes, funcionários, fornecedores, acionistas, sociedade e planeta).

Mas afinal, o que é ESG?

Mais do que uma tendência passageira é um movimento de transformação que está redefinindo a postura do mercado como um todo e, sobretudo, desmistificando a ideia de que as empresas socialmente justas e ambientalmente conscientes não são lucrativas. Na realidade, os dados mostram que quando uma organização adota uma postura ESG, ela reduz os riscos, atrai investidores e fideliza clientes. O resumo desta equação é lucratividade e longevidade para os negócios.

Segundo a Aliança Global de Investimentos Sustentáveis (GSIA), em 2018 foram investidos US$ 31 trilhões em ativos consonantes a estratégias relacionadas ao ESG.

Ainda, um estudo realizado pela Morningstar, indica que, apenas no primeiro trimestre de 2020, os investidores globais aplicaram cerca de US$ 45,76 bilhões em fundos que operam em conformidade com práticas ambientais.

Por dentro do Conceito ESG
Neste contexto surge o conceito ESG, uma sigla que significa em inglês Environmental, Social and Governance. Traduzindo para o português, significa Meio Ambiente, Social e Governança, que busca demonstrar as ações corporativas voltadas às esferas:
Ambientais: Uso de recursos naturais, emissões de poluentes, incluindo os Gases de Efeito Estufa, geração e destinação de resíduos, eficiência energética, consumo de combustíveis, entre outros;
Sociais: Implementação de políticas e relações trabalhistas, inclusão, diversidade, equidade, privacidade e proteção de dados, relações com a comunidade e clientes, retenção de talentos, bem-estar e saúde mental dos empregados, entre outros;
Governança: Políticas de remuneração da alta administração, diversidade na composição do conselho de gestão, independência do conselho de gestão, transparência na tomada de decisão, implantação de políticas anti-corrupção, entre outros.

Quais são os benefícios ao implantar critérios ESG?

Empreendimentos que aderem a uma agenda ESG podem observar os seguintes resultados positivos:
– Inovação através da identificação de novas oportunidades de negócio;
– Geração ou aumento de receita através de:
– Adaptação de produtos e serviços para atendimento de novas demandas do consumidor;
– Acesso a novos mercados;
– Fidelização de clientes;
– Redução de custos através da:
– Maximização do uso de recursos naturais na produção (insumos, combustíveis, matérias-primas, água e energia);
– Estabelecimento de parcerias e desenvolvimento de fornecedores;
– Otimização do capital intelectual através da atração e retenção de talentos;
– Potencial aumento da produtividade da força de trabalho;
– Redução à exposição a riscos socioambientais, incluindo processos trabalhistas;
– Minimização de riscos operacionais;
– Redução a exposição em escândalos financeiros;
– Atendimento e antecipação de demandas legais;
– Melhoria da reputação e imagem;
– Fortalecimento da marca.
Além destes benefícios, a implementação de ações com base em critérios ESG tem o poder de ampliar a atratividade da empresa para alocação de investimentos.

Empresas que adotam a cultura ESG tem mais oportunidades

São diversas as oportunidades para uma organização que decide trilhar o caminho dos pilares ESG: desde uma cadeia de produção mais sustentável e equilibrada; passando pela conquista e retenção de talentos; até a aquisição de novos consumidores e ingresso em novos mercados.
Por fim, a incorporação dos conceitos ESG nas atividades desenvolvidas por uma empresa demonstra o nível de maturidade, resiliência e adaptabilidade da corporação. Esses fatores indicam o quão robusto é o empreendimento, transmitindo credibilidade ao mercado (consumidores e investidores) e resultando na perenidade dos negócios.

Como iniciar a implantação de critérios ESG?

O primeiro Setor da empresa que deve assumir um compromisso para implantação de práticas ESG é a Alta Direção. Este engajamento é essencial, tendo em vista que a adoção de práticas ESG pressupõe uma mudança na cultura da corporação, a qual deve ser concretizada por todos os seus integrantes a partir do exemplo de sua Alta Direção.
Outra ponto importante é o monitoramento dos resultados esperados. Estes resultados devem ser factíveis com a realidade da empresa e possuírem viabilidade real para que sejam atingidos.
A implantação de fatores ESG é bastante complexa e envolve diversos fatores. Por isso, é de grande importância que a empresa seja orientada por especialistas.
O Instituto SER pode ajudar a sua organização a adotar uma cultura ESG. Entre e contato, será um prazer atendê-lo!

[DISPLAY_ULTIMATE_SOCIAL_ICONS]

O futuro das corporações: do greenwashing à cultura ESG

Você certamente já ouviu falar de ESG e de como algumas empresas têm buscado adotar práticas mais sustentáveis para atender aos anseios de seus consumidores. Mas será que o discurso dessas organizações está mesmo alinhado às suas ações?

O termo ESG (environmental, social and governance) não é novo, surgiu em 2004 em uma publicação do Pacto Global (ONU). A partir de 2020 esse conceito ganhou visibilidade por garantir aos fundos verdes (fundos com premissas socioambientais) um crescimento duas vezes maior do que o restante do mercado, chegando a 1 trilhão de dólares. Com o olhar dos investidores voltado para a escala da sustentabilidade, as empresas começaram uma corrida para atingir metas ESG, mas muitas vezes, de forma superficial, sem atingir o cerne da questão.

Lavagem verde

Muitas organizações adotaram um discurso correto e investiram pesado em publicidade pensando em atrair investimentos e consumidores, mas não abraçaram mudanças significativas ou transformadoras em sua cultura organizacional. Companhias com essa postura fazem a chamada ‘lavagem verde’ ou greenwashing.

Um exemplo desta prática seria uma empresa do setor têxtil que faz apenas o necessário para conseguir licenças ambientais, mas não se preocupa com a cadeia de fornecedores, permitindo que estes usufruam de trabalho análogo à escravidão. Ao mesmo tempo, esta empresa dedica esforços e recursos para divulgar campanhas de equidade de gênero, mas não possui diversidade em seu quadro de liderança. A empresa busca assumir uma imagem verde mas, na prática, não realiza ações verdadeiras e condizentes com a propaganda feita aos consumidores. O risco desta postura é claro!

O papel das novas gerações

Empresas que têm apenas o lucro como propósito certamente precisarão rever sua atuação se quiserem garantir a longevidade de seus negócios. Isso porque a geração dos Millennials (Geração Y/1980-1995) e a Geração Z (1995-2010) buscam consumir de marcas que tenham valores semelhantes aos seus, apoiando causas relacionadas à defesa dos direitos humanos, combatendo à desigualdade social e garantindo a diversidade no ambiente de trabalho.

Uma pesquisa realizada pelo instituto Union + Webster aponta que 87% dos brasileiros das novas gerações preferem comprar de empresas sustentáveis e 70% destes consumidores não se importa em pagar mais caro por produtos feitos por empresas sustentáveis. Esses jovens idealistas serão 74% dos profissionais em 2030, portanto não podem ter seus anseios ignorados pelas organizações.

Virada da Chave

Mas como as empresas podem ‘virar a chave’ de uma cultura meramente capitalista – em que se objetiva o lucro acima de tudo – para uma cultura ESG – que visa harmonizar os interesses de todos os stakeholders (trabalhadores, clientes, fornecedores e investidores)?

O professor da Harvard Business School, George Serafeim, acompanhou e pesquisou os aspectos ESG em milhares de empresas e traz uma luz sobre a questão. Ele faz cinco recomendações para que as lideranças se antecipem a esta tendência e possam usufruir dos benefícios tangíveis desta prática:

1 – Adotar práticas estratégicas ESG;
2 – Criar estruturas de responsabilidade para integração ESG;
3 – Identificar um propósito corporativo e construir uma cultura em torno dele;
4 – Fazer mudanças operacionais para garantir que a estratégia ESG seja executada com sucesso;
5 – Se comprometer com a transparência e a construção de relacionamento com os investidores.

E é nesse sentido que a cultura ESG deve estar alinhada à visão de futuro do negócio, pois diz respeito não apenas ao marketing de causa e à imagem da marca, mas à ética, aos direitos humanos e ao meio ambiente.

Esses valores devem estar enraizados no propósito das organizações e envolver todos os níveis da empresa, mas sobretudo a liderança. A prática ESG deve estar presente na operação, mas também na estratégia do negócio, não é possível desvincular essas esferas.

Finalmente, empresas que derem o passo em direção aos critérios ESG ganharão marketing share e produtividade, terão seus riscos reduzidos, conseguirão mais investimentos, fidelizarão consumidores e se tornarão protagonistas do futuro sustentável.

Silvia Elmor
Jornalista, especialista em marketing, co-fundadora do Instituto Ser Sustentável. Mãe do Theo, feminista e determinada a reduzir o impacto negativo que a minha geração (X) causou ao planeta.

[DISPLAY_ULTIMATE_SOCIAL_ICONS]