O quão importante são os fatores ESG no Agro

Confio muito nesta revolução. Esse terremoto que veio de encontro com o mercado. Essas três letras que trazem em seu cerne tudo o que deveríamos já a muito tempo ter colocado em prática, poderá nos trazer grandes desafios. Acredito que devemos ser sábios e junto a este antigo conceito, praticar lições apreendidas com crises passadas.

Digo antigo conceito, pois desde sempre a humanidade se viu imbuída em manter no radar o cuidado com o Meio Ambiente, sua Sociedade e com a Governança de nossas vidas pessoais e profissionais.

Estamos vivendo um momento bastante particular, pois necessitamos ter ciência e conhecimento para saber como produzir, alimentar e abastecer a pessoas a nível mundial.

Também entendo que países que consigam alimentar sua própria população e ainda exportar terão grande vantagem. Terão soberania sobre os demais.

Especialmente voltada ao mundo do agronegócio, o tema de predição em toda a cadeia produtiva, deverá ser forte aliado nesta questão, afinal teremos que produzir cada vez mais alimentos e com maior segurança alimentar.

Neste sentido a agricultura brasileira tem grandes perspectivas. Observa-se mais e mais a introdução do conceito ESG dentro de todo o ambiente do Agro. Recebemos cada vez mais pressão externa de investidores para divulgação do desempenho ESG de nossas companhias.

Temos mais e mais clientes interessados em comprar de empresas focadas em sustentabilidade, o que significa que o aumento do público em geral quanto à conscientização sobre sustentabilidade é maior a cada dia.

É notório que parte do setor do agro já vem abraçando iniciativas para combater os impactos negativos que geram em função de suas atividades produtivas e de negócio.

Que fique o alerta e o foco de que para um setor tão estratégico como o Agro, não é possível deixar de considerar os aspectos ambientais, sociais e de governança. Não é uma opção, não é possível ficar de fora. O que vem ganhando manchetes e causando mobilização no mundo empresarial deve ser posto em prática. ESG agora!

 

Cris Baluta

Co-Fundadora Instituto SER e CEO da Roadimex Ambiental

Nunca se falou tanto em Sustentabilidade!

Neste momento, em que celebramos encontros de especialistas e técnicos, discutindo, pesquisando, analisando e aprovando o uso de organismos vivos (bioinsumos) no combate de pragas, cuja prática é milenar e vem avançando significativamente, podemos atestar que o Investimento Sustentável será regra no pós COVID-19.

Podemos determinar então que, investir em progresso é reconhecer que as empresas que solucionam os maiores desafios do mundo poderão estar mais bem posicionadas para crescer.

Por meio da combinação de abordagens tradicionais de investimento com perspectivas ambientais, sociais e de governança (ESG -Environmental, Social and Governance), os investidores, que incluem desde instituições globais até pessoas físicas, estarão adotando uma abordagem sustentável para perseguirem suas metas de investimento.

No Brasil, podemos destacar que as políticas para o desenvolvimento do setor de bioinsumos vem tendo um grande destaque. Produção e demanda são intensas, produtos cultivados a partir do uso de bioinsumos são seguros tanto para a saúde, como para  o meio ambiente e em alguns casos mais rentáveis para o produtor.

Sabemos que o Brasil é o melhor país do mundo quando o tema é agricultura: temos solos favoráveis, clima, água, tecnologia, produtores fortes, referência mundial em diversos produtos, desde a soja até a proteína animal, celulose, mel e frutos nativos como a castanha, e, mais do que isso, uma biodiversidade invejável.

E agora está claro que demos mais um passo: o Brasil está oficialmente, na bioeconomia.

Nunca se falou tanto em sustentabilidade!

Devemos então ficar empolgados? Sim, pois cada vez mais fica evidenciada a importância que a natureza e a sustentabilidade ganharam nos últimos anos.

Por Cris Baluta

Bioinsumos: um passaporte para a bioeconomia pós pandemia de covid-19

Uma das principais pressões que os ecossistemas sofrem é provocada pelo desenvolvimento do agronegócio. Seja pelo avanço das áreas agricultáveis ou de pasto ou pelo uso indiscriminado de agrotóxicos, o meio ambiente paga um elevado preço pela necessidade que temos em alimentar quase 8 bilhões de pessoas.

Os agrotóxicos são produtos químicos utilizados para eliminar pragas, doenças ou plantas invasoras que possam diminuir a produtividade de culturas agrícolas. Apesar deles proporcionarem incremento na produção de bens agrícolas, há uma série de impactos negativos que são causados pelo uso intensivo destas substâncias, como contaminações de rios e de lençóis freáticos, perda da fertilidade do solo, redução da biodiversidade e de populações de insetos benéficos.

Por isso, diante do constante desafio de aumentar a produção agrícola sem causar maiores danos ambientais surgem os Bioinsumos.

São considerados como Bioinsumos todos os defensivos e inoculantes agrícolas obtidos a partir de recursos biológicos. A produção de Bioinsumos, bem como a sua utilização, são exemplos de atividades bioeconômicas por capturarem valor a partir de processos biológicos e biorrecursos para produzir saúde, crescimento e desenvolvimento sustentável através da agroindústria.

O Brasil já possui 580 Bioinsumos registrados e disponíveis para consumo e aplicação. A tendência é que este número aumente ainda mais e que esse segmento se torne uma grande oportunidade para a retomada, de forma sustentável, do crescimento econômico do país na pós-pandemia do COVID-19.

Em 27 de maio de 2020, o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) lançou o Programa Nacional de Bioinsumos, visando a ampliação e o fortalecimento da utilização de Bioinsumos para o desenvolvimento sustentável da agropecuária nacional.

A aplicabilidade dos Bioinsumos é bastante ampla, englobando:

  • Produção Vegetal:
    • Controle de pragas e doenças;
    • Fertilidade do solo, nutrição de plantas e estresses abióticos;
    • Manejo de espécies vegetais;
  • Produção Animal:
    • Saúde;
    • Alimentação;
    • Aquicultura;
    • Manejo de animais;
  • Pós-colheita e Processamento:
    • Pós-colheita de produtos de origem vegetal;
    • Processamento de produtos de origem animal e vegetal.

O Programa Nacional de Bioinsumos está dimensionado para empreendimentos agrícolas de todos os portes e pretende fomentar a pesquisa, o desenvolvimento e a inovação em Bioinsumos, tais como os projetos de agricultura sustentável e de baixo carbono e do hotel para insetos apoiados pelo Instituto SER.

Apesar das incertezas que vivemos atualmente, o Programa Nacional de Bioinsumos vem como uma chuva esperada, e apresenta uma possibilidade para a transformação do agronegócio em um setor mais sustentável, abrangente e dinâmico e, que em tempos de crise, novamente, será o motor que impulsionará a economia brasileira.

Por Rubia Elaine Moisa