Nova lei alemã é ponto de partida para ESG

Os impactos da legislação na Cadeia de Fornecimento no Brasil e as medidas a serem adotadas.

Há uma nova Lei germânica que está dando o que falar aqui no Brasil: A Lei Alemã de Diligência em Cadeias de Fornecimento (LCF), a qual entrará em vigor em Janeiro de 2023 e possui como foco regulamentar as obrigações de due diligence das empresas alemãs e de sua cadeia de fornecedores, sendo eles estrangeiros ou não. Nesta esteira, as medidas inseridas na Lei supra referida serão vinculantes não apenas às empresas subsidiárias de empresas alemãs que atuam em solo brasileiro, mas da mesma forma, às empresas brasileiras que atuam como fornecedoras de bens ou serviços para empresas com sede na Alemanha.
Aos que necessitam se adequar à esta nova legislação, vive-se neste momento um período “caótico”, posto que o prazo para as adaptações é de praticamente um semestre e as condutas a serem adotadas são diversas, como por exemplo: verificar os passivos que a empresa gera, inserir plano de ação para mitigar os passivos, realizar gerenciamento de riscos e inserir medidas de prevenção de danos.
Um ponto interessante da lei é que dependendo do tipo de fornecedor que se é, ou seja, direto ou indireto, as regras a serem cumpridas podem ser mais ou menos brandas, questão que não muda o fato da urgente adequação. Outro tópico importante da legislação é que, caso um fornecedor não consiga inserir as boas condutas acima auferidas ou ainda, não consiga resolver determinados passivos, a Lei dispõe sobre a possibilidade de rompimento das relações comerciais com as empresas alemãs, o que pode vir a prejudicar em demasia os fornecedores brasileiros.
Assim como os tópicos acima, é fato que ainda neste ano de 2022, as empresas nacionais fornecedoras de empresas alemãs e as empresas subsidiárias de empresas alemãs que atuam em solo brasileiro deverão se adaptar às práticas inseridas na Lei Alemã de Diligência em Cadeias de Fornecimento (LCF) e isso significa a necessidade de trabalhar com um instrumento que consegue alinhar todas as mudanças de condutas a serem feitas: o Programa de Compliance. Através dele, se consegue não somente realizar auditorias técnicas ou de cumprimento de legislação, mas também, visualizar passivos, realizar planos de ação para mitigação de danos, entre outros. Além do mais, há mecanismos que complementam um Programa de compliance e que devem ser utilizados, tais como a implementação de Código de conduta e o uso de softwares de controle de riscos, por exemplo.
Aliás, não basta a aplicação de um Programa de compliance para efetivar as adaptações necessárias, é preciso que haja também o treinamento dos stakeholders, tanto internos quanto externos, para que o Programa de compliance seja realmente efetivo, evitando-se que determinada empresa sofra riscos de ser responsabilizada por descumprimento da Lei, seja na Alemanha, seja no Brasil.
É de forte recomendação que essas modificações sejam feitas assim que possível, sem esquecer das práticas ESG, posto que, na Europa já existem muitas demandas e legislações nesse sentido e que, por sua vez, impactam também nas relações comerciais com o Brasil (basta ver por exemplo a pressão existente para imposição de medidas regulatórias contra o desmatamento na Amazônia). Neste âmbito, caso não ocorram tais modificações, o impacto negativo dentro do espectro que a lei abarca será de grande magnitude, pois afetará principalmente o mercado de exportação brasileira de commodities que sustentam o país (produtos minerais, agropecuários e agrários), sendo a Alemanha, atualmente, o sétimo maior importador do Brasil desses artigos. Portanto, se sua empresa não se enquadra nas necessidades de adequação da referida lei germânica, inicie hoje mesmo os trâmites necessários para evitar prejuízos financeiros maiores e perda de reputação, investimentos e de possibilidades perante o mercado alemão.

Autoras:
MARIA EDUARDA GASPAROTTO DE A. BASTIAN, advogada, sócia proprietária da MEGA Consultoria Ambiental, mestranda em direito ambiental, embaixadora da filial RS do Instituto Capitalismo Consciente e membro da Comissão Permanente de Ética e Compliance da FEDERASUL.
NIRIS CRISTINA FREDO CUNHA, Advogada especialista em Direito do Seguros pela Fundação Escola do Ministério Publico RS. Especialista em Compliance pela PUC/RS. Membro da Divisão Jurídica e Comissão de Permanente Compliance (COPEC) e Coordenadora da Comissão Seguros da Federasul ( COSEG).

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Água: o novo petróleo do sec. XXI?

Estamos acostumados com a ideia de que a água é um bem infinito e por conta disso podemos
utilizá-lo nas mais diversas formas sem grandes restrições. Temos esta ideia devido a abundância
com que encontramos este elemento em nosso planeta.

Essa falsa sensação ocorre porque estima-se que exista cerca de 1.234 milhões de trilhões de
litros de água na Terra. No entanto, apenas 1% deste volume representa a água disponível e
adequada para consumo humano, animal e vegetal. Ao observarmos que desse total de água
doce, apenas 0,02% estão geograficamente localizados em aquíferos superficiais ou de baixa
profundidade proporcionando uma captação menos onerosa, percebemos que nossa situação
não é confortável.

Além da água ser essencial à vida no planeta, ela também é largamente utilizada na indústria,
para geração de energia e como modal de transporte. Apesar de tantos usos essenciais, os
recursos hídricos são muito pouco valorizados. Esse paradigma ocorre justamente devido a
condição vital que a água detém, sem água não sobrevivemos mais do que três dias.

Desta forma, caso o seu consumo venha a ser cobrado seguindo uma lógica de mercado teremos
várias consequências negativas: Menos pessoas terão acesso à água potável, o preço dos
alimentos aumentará, já que o Setor Agrícola utiliza cerca de 70% de toda água consumida pela
humanidade, sem contar no valor dos produtos industrializados e da energia elétrica.

Por outro lado, uma maior valorização monetária da água promoverá o seu uso mais racional,
através da redução das perdas de água já tratada, as quais, no Brasil, chegaram, em 2018, a
38,45% do total tratado, além de ampliar o percentual de efluentes tratados lançados em corpos
hídricos, já que, no Brasil, apenas 49,1% do esgoto doméstico coletado é tratado antes de ser
devolvido aos rios.

Realmente chegar a um consenso sobre esse tema não é uma tarefa simples, uma vez que
ambos os lados têm razão em seus argumentos, os quais devem ser considerados para a
elaboração de uma proposta mais eficiente e mais social e ambientalmente justa para gestão
dos recursos hídricos.

Rubia Elaine Moisa

Engenheira Química, Especialista em Gestão e Engenharia Ambiental, Mestre em Processos Químicos e Co-Fundadora do Instituto SER.

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ESG, a sigla que pode salvar o mundo!

As empresas já perceberam a importância de adotar políticas internas e ações alinhadas aos critérios ESG, seja porque essa postura está alinhada aos seus valores e propósito, ou mesmo porque precisam garantir competitividade e subsistência. Não importa a motivação por trás, contanto que a mudança ocorra para o bem de todos os stakeholders (clientes, funcionários, fornecedores, acionistas, sociedade e planeta).

Mas afinal, o que é ESG?

Mais do que uma tendência passageira é um movimento de transformação que está redefinindo a postura do mercado como um todo e, sobretudo, desmistificando a ideia de que as empresas socialmente justas e ambientalmente conscientes não são lucrativas. Na realidade, os dados mostram que quando uma organização adota uma postura ESG, ela reduz os riscos, atrai investidores e fideliza clientes. O resumo desta equação é lucratividade e longevidade para os negócios.

Segundo a Aliança Global de Investimentos Sustentáveis (GSIA), em 2018 foram investidos US$ 31 trilhões em ativos consonantes a estratégias relacionadas ao ESG.

Ainda, um estudo realizado pela Morningstar, indica que, apenas no primeiro trimestre de 2020, os investidores globais aplicaram cerca de US$ 45,76 bilhões em fundos que operam em conformidade com práticas ambientais.

Por dentro do Conceito ESG
Neste contexto surge o conceito ESG, uma sigla que significa em inglês Environmental, Social and Governance. Traduzindo para o português, significa Meio Ambiente, Social e Governança, que busca demonstrar as ações corporativas voltadas às esferas:
Ambientais: Uso de recursos naturais, emissões de poluentes, incluindo os Gases de Efeito Estufa, geração e destinação de resíduos, eficiência energética, consumo de combustíveis, entre outros;
Sociais: Implementação de políticas e relações trabalhistas, inclusão, diversidade, equidade, privacidade e proteção de dados, relações com a comunidade e clientes, retenção de talentos, bem-estar e saúde mental dos empregados, entre outros;
Governança: Políticas de remuneração da alta administração, diversidade na composição do conselho de gestão, independência do conselho de gestão, transparência na tomada de decisão, implantação de políticas anti-corrupção, entre outros.

Quais são os benefícios ao implantar critérios ESG?

Empreendimentos que aderem a uma agenda ESG podem observar os seguintes resultados positivos:
– Inovação através da identificação de novas oportunidades de negócio;
– Geração ou aumento de receita através de:
– Adaptação de produtos e serviços para atendimento de novas demandas do consumidor;
– Acesso a novos mercados;
– Fidelização de clientes;
– Redução de custos através da:
– Maximização do uso de recursos naturais na produção (insumos, combustíveis, matérias-primas, água e energia);
– Estabelecimento de parcerias e desenvolvimento de fornecedores;
– Otimização do capital intelectual através da atração e retenção de talentos;
– Potencial aumento da produtividade da força de trabalho;
– Redução à exposição a riscos socioambientais, incluindo processos trabalhistas;
– Minimização de riscos operacionais;
– Redução a exposição em escândalos financeiros;
– Atendimento e antecipação de demandas legais;
– Melhoria da reputação e imagem;
– Fortalecimento da marca.
Além destes benefícios, a implementação de ações com base em critérios ESG tem o poder de ampliar a atratividade da empresa para alocação de investimentos.

Empresas que adotam a cultura ESG tem mais oportunidades

São diversas as oportunidades para uma organização que decide trilhar o caminho dos pilares ESG: desde uma cadeia de produção mais sustentável e equilibrada; passando pela conquista e retenção de talentos; até a aquisição de novos consumidores e ingresso em novos mercados.
Por fim, a incorporação dos conceitos ESG nas atividades desenvolvidas por uma empresa demonstra o nível de maturidade, resiliência e adaptabilidade da corporação. Esses fatores indicam o quão robusto é o empreendimento, transmitindo credibilidade ao mercado (consumidores e investidores) e resultando na perenidade dos negócios.

Como iniciar a implantação de critérios ESG?

O primeiro Setor da empresa que deve assumir um compromisso para implantação de práticas ESG é a Alta Direção. Este engajamento é essencial, tendo em vista que a adoção de práticas ESG pressupõe uma mudança na cultura da corporação, a qual deve ser concretizada por todos os seus integrantes a partir do exemplo de sua Alta Direção.
Outra ponto importante é o monitoramento dos resultados esperados. Estes resultados devem ser factíveis com a realidade da empresa e possuírem viabilidade real para que sejam atingidos.
A implantação de fatores ESG é bastante complexa e envolve diversos fatores. Por isso, é de grande importância que a empresa seja orientada por especialistas.
O Instituto SER pode ajudar a sua organização a adotar uma cultura ESG. Entre e contato, será um prazer atendê-lo!

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O futuro das corporações: do greenwashing à cultura ESG

Você certamente já ouviu falar de ESG e de como algumas empresas têm buscado adotar práticas mais sustentáveis para atender aos anseios de seus consumidores. Mas será que o discurso dessas organizações está mesmo alinhado às suas ações?

O termo ESG (environmental, social and governance) não é novo, surgiu em 2004 em uma publicação do Pacto Global (ONU). A partir de 2020 esse conceito ganhou visibilidade por garantir aos fundos verdes (fundos com premissas socioambientais) um crescimento duas vezes maior do que o restante do mercado, chegando a 1 trilhão de dólares. Com o olhar dos investidores voltado para a escala da sustentabilidade, as empresas começaram uma corrida para atingir metas ESG, mas muitas vezes, de forma superficial, sem atingir o cerne da questão.

Lavagem verde

Muitas organizações adotaram um discurso correto e investiram pesado em publicidade pensando em atrair investimentos e consumidores, mas não abraçaram mudanças significativas ou transformadoras em sua cultura organizacional. Companhias com essa postura fazem a chamada ‘lavagem verde’ ou greenwashing.

Um exemplo desta prática seria uma empresa do setor têxtil que faz apenas o necessário para conseguir licenças ambientais, mas não se preocupa com a cadeia de fornecedores, permitindo que estes usufruam de trabalho análogo à escravidão. Ao mesmo tempo, esta empresa dedica esforços e recursos para divulgar campanhas de equidade de gênero, mas não possui diversidade em seu quadro de liderança. A empresa busca assumir uma imagem verde mas, na prática, não realiza ações verdadeiras e condizentes com a propaganda feita aos consumidores. O risco desta postura é claro!

O papel das novas gerações

Empresas que têm apenas o lucro como propósito certamente precisarão rever sua atuação se quiserem garantir a longevidade de seus negócios. Isso porque a geração dos Millennials (Geração Y/1980-1995) e a Geração Z (1995-2010) buscam consumir de marcas que tenham valores semelhantes aos seus, apoiando causas relacionadas à defesa dos direitos humanos, combatendo à desigualdade social e garantindo a diversidade no ambiente de trabalho.

Uma pesquisa realizada pelo instituto Union + Webster aponta que 87% dos brasileiros das novas gerações preferem comprar de empresas sustentáveis e 70% destes consumidores não se importa em pagar mais caro por produtos feitos por empresas sustentáveis. Esses jovens idealistas serão 74% dos profissionais em 2030, portanto não podem ter seus anseios ignorados pelas organizações.

Virada da Chave

Mas como as empresas podem ‘virar a chave’ de uma cultura meramente capitalista – em que se objetiva o lucro acima de tudo – para uma cultura ESG – que visa harmonizar os interesses de todos os stakeholders (trabalhadores, clientes, fornecedores e investidores)?

O professor da Harvard Business School, George Serafeim, acompanhou e pesquisou os aspectos ESG em milhares de empresas e traz uma luz sobre a questão. Ele faz cinco recomendações para que as lideranças se antecipem a esta tendência e possam usufruir dos benefícios tangíveis desta prática:

1 – Adotar práticas estratégicas ESG;
2 – Criar estruturas de responsabilidade para integração ESG;
3 – Identificar um propósito corporativo e construir uma cultura em torno dele;
4 – Fazer mudanças operacionais para garantir que a estratégia ESG seja executada com sucesso;
5 – Se comprometer com a transparência e a construção de relacionamento com os investidores.

E é nesse sentido que a cultura ESG deve estar alinhada à visão de futuro do negócio, pois diz respeito não apenas ao marketing de causa e à imagem da marca, mas à ética, aos direitos humanos e ao meio ambiente.

Esses valores devem estar enraizados no propósito das organizações e envolver todos os níveis da empresa, mas sobretudo a liderança. A prática ESG deve estar presente na operação, mas também na estratégia do negócio, não é possível desvincular essas esferas.

Finalmente, empresas que derem o passo em direção aos critérios ESG ganharão marketing share e produtividade, terão seus riscos reduzidos, conseguirão mais investimentos, fidelizarão consumidores e se tornarão protagonistas do futuro sustentável.

Silvia Elmor
Jornalista, especialista em marketing, co-fundadora do Instituto Ser Sustentável. Mãe do Theo, feminista e determinada a reduzir o impacto negativo que a minha geração (X) causou ao planeta.

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O quão importante são os fatores ESG no Agro

Confio muito nesta revolução. Esse terremoto que veio de encontro com o mercado. Essas três letras que trazem em seu cerne tudo o que deveríamos já a muito tempo ter colocado em prática, poderá nos trazer grandes desafios. Acredito que devemos ser sábios e junto a este antigo conceito, praticar lições apreendidas com crises passadas.

Digo antigo conceito, pois desde sempre a humanidade se viu imbuída em manter no radar o cuidado com o Meio Ambiente, sua Sociedade e com a Governança de nossas vidas pessoais e profissionais.

Estamos vivendo um momento bastante particular, pois necessitamos ter ciência e conhecimento para saber como produzir, alimentar e abastecer a pessoas a nível mundial.

Também entendo que países que consigam alimentar sua própria população e ainda exportar terão grande vantagem. Terão soberania sobre os demais.

Especialmente voltada ao mundo do agronegócio, o tema de predição em toda a cadeia produtiva, deverá ser forte aliado nesta questão, afinal teremos que produzir cada vez mais alimentos e com maior segurança alimentar.

Neste sentido a agricultura brasileira tem grandes perspectivas. Observa-se mais e mais a introdução do conceito ESG dentro de todo o ambiente do Agro. Recebemos cada vez mais pressão externa de investidores para divulgação do desempenho ESG de nossas companhias.

Temos mais e mais clientes interessados em comprar de empresas focadas em sustentabilidade, o que significa que o aumento do público em geral quanto à conscientização sobre sustentabilidade é maior a cada dia.

É notório que parte do setor do agro já vem abraçando iniciativas para combater os impactos negativos que geram em função de suas atividades produtivas e de negócio.

Que fique o alerta e o foco de que para um setor tão estratégico como o Agro, não é possível deixar de considerar os aspectos ambientais, sociais e de governança. Não é uma opção, não é possível ficar de fora. O que vem ganhando manchetes e causando mobilização no mundo empresarial deve ser posto em prática. ESG agora!

 

Cris Baluta

Co-Fundadora Instituto SER e CEO da Roadimex Ambiental

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Investidores ESG buscam mercados emergentes e desafiam céticos

Um número crescente de gestores em finanças verdes agora busca mercados que geralmente não são associados à sustentabilidade.

Gestores de fundos no Norte da Europa, onde investimentos com foco na proteção do meio ambiente se tornaram predominantes, começam a olhar muito mais longe para encontrar ativos baratos que, segundo eles, acabarão por cumprir seus objetivos ambientais, sociais e de governança, ou ESG na sigla em inglês.

A unidade de gestão de ativos do Nordea Bank, que administra US$ 450 bilhões, está entre as empresas que testam a estratégia e acaba de lançar um fundo voltado para ativos ESG em mercados emergentes.

“Sentimos que era uma ideia atraente”, disse Thede Ruest, responsável por mercados de dívida emergente na unidade de gestão de investimentos do Nordea, em Copenhague.

Sua aposta é que a estratégia forneça “rendimento ligeiramente melhor sem correr muito risco”. Também espera que “faça diferença onde possivelmente importará mais”.

O “Global Green Bond Fund” do Nordea investirá pelo menos 70% em títulos verdes, enquanto o restante será aplicado em títulos convencionais emitidos por empresas sustentáveis, bem como dívida social e atrelada à sustentabilidade. Do total do fundo, cerca de 20% está atualmente alocado em mercados emergentes.

“Sem sentido”

Gestores de ativos que já fizeram o dever de casa na busca por investimentos sustentáveis em mercados emergentes dizem que o ESG definitivamente ganha espaço, mas depois de um começo difícil.

“No passado, muitas empresas nem sabiam o que significava a sigla ESG”, de acordo com Burton Flynn e Ivan Nechunaev, gestores da Terra Nova Capital, que assessora o fundo Evli Emerging Frontier. “Quando explicávamos, muitos retrucavam, dizendo que não fazia sentido e alguns riam da gente.”

Os dois se lembram de uma reunião de 2019 na qual uma diretora financeira “olhou para nós, sem expressão, quando perguntamos sobre sua política ESG”. Depois de explicar o que era, “ela caiu na gargalhada”. O presidente de uma bolsa de valores em outro mercado de fronteira “perguntou sarcasticamente: ‘Vocês realmente acreditam em energia eólica?’”.

Mas as coisas mudaram e agora é “muito raro” encontrar empresas que não estejam cientes das demandas feitas por investidores ESG, segundo Flynn e Nechunaev.

Ao mesmo tempo, investidores de mercados emergentes estão mais seletivos em meio aos temores de volta da inflação. O índice MSCI Emerging Markets acumula queda de quase 10% desde a máxima em meados de fevereiro.

Greenwashing

Ruest, do Nordea, diz que uma grande preocupação agora é que algumas empresas não são tão verdes quanto afirmam.

“É um pesadelo nos expor ao greenwashing”, disse em referência à prática de maquiar metas ambientais. “Esse é um dos maiores medos que tenho.” Ele diz que investidores de renda fixa tendem a conseguir mais proteções do que outros, mas gestores de ativos ainda precisam encontrar seu próprio teste decisivo para evitar padrões falsos em ESG.

“O que sempre buscamos é ter credibilidade no emissor, queremos ver planos confiáveis em toda a transição do emissor”, disse Ruest.

Mas há uma linha segundo a qual empresas de mercados emergentes têm, na verdade, menos probabilidade de serem acusadas de greenwashing do que seus pares nos mercados desenvolvidos.

Isso porque estão sob menos pressão para divulgar métricas ESG e não estão acostumadas a fingir que são mais virtuosas do que realmente são, de acordo com Karine Hirn, sócia-fundadora e diretora de sustentabilidade da East Capital, em Estocolmo.

Mercados de fronteira tendem a fornecer oportunidades “incríveis” para investidores ativos com foco em ESG, disse Hirn. Ela desenvolveu um sistema de classificação que mede a transição esperada de uma empresa rumo a um modelo de negócios mais sustentável para orientar as decisões de investimento.

Em vez de buscar nomes estabelecidos, diz: “Você quer investir em empresas que estão melhorando em termos de ESG”.

Fonte: Bloomberg

 

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