Investidores ESG buscam mercados emergentes e desafiam céticos

Um número crescente de gestores em finanças verdes agora busca mercados que geralmente não são associados à sustentabilidade.

Gestores de fundos no Norte da Europa, onde investimentos com foco na proteção do meio ambiente se tornaram predominantes, começam a olhar muito mais longe para encontrar ativos baratos que, segundo eles, acabarão por cumprir seus objetivos ambientais, sociais e de governança, ou ESG na sigla em inglês.

A unidade de gestão de ativos do Nordea Bank, que administra US$ 450 bilhões, está entre as empresas que testam a estratégia e acaba de lançar um fundo voltado para ativos ESG em mercados emergentes.

“Sentimos que era uma ideia atraente”, disse Thede Ruest, responsável por mercados de dívida emergente na unidade de gestão de investimentos do Nordea, em Copenhague.

Sua aposta é que a estratégia forneça “rendimento ligeiramente melhor sem correr muito risco”. Também espera que “faça diferença onde possivelmente importará mais”.

O “Global Green Bond Fund” do Nordea investirá pelo menos 70% em títulos verdes, enquanto o restante será aplicado em títulos convencionais emitidos por empresas sustentáveis, bem como dívida social e atrelada à sustentabilidade. Do total do fundo, cerca de 20% está atualmente alocado em mercados emergentes.

“Sem sentido”

Gestores de ativos que já fizeram o dever de casa na busca por investimentos sustentáveis em mercados emergentes dizem que o ESG definitivamente ganha espaço, mas depois de um começo difícil.

“No passado, muitas empresas nem sabiam o que significava a sigla ESG”, de acordo com Burton Flynn e Ivan Nechunaev, gestores da Terra Nova Capital, que assessora o fundo Evli Emerging Frontier. “Quando explicávamos, muitos retrucavam, dizendo que não fazia sentido e alguns riam da gente.”

Os dois se lembram de uma reunião de 2019 na qual uma diretora financeira “olhou para nós, sem expressão, quando perguntamos sobre sua política ESG”. Depois de explicar o que era, “ela caiu na gargalhada”. O presidente de uma bolsa de valores em outro mercado de fronteira “perguntou sarcasticamente: ‘Vocês realmente acreditam em energia eólica?’”.

Mas as coisas mudaram e agora é “muito raro” encontrar empresas que não estejam cientes das demandas feitas por investidores ESG, segundo Flynn e Nechunaev.

Ao mesmo tempo, investidores de mercados emergentes estão mais seletivos em meio aos temores de volta da inflação. O índice MSCI Emerging Markets acumula queda de quase 10% desde a máxima em meados de fevereiro.

Greenwashing

Ruest, do Nordea, diz que uma grande preocupação agora é que algumas empresas não são tão verdes quanto afirmam.

“É um pesadelo nos expor ao greenwashing”, disse em referência à prática de maquiar metas ambientais. “Esse é um dos maiores medos que tenho.” Ele diz que investidores de renda fixa tendem a conseguir mais proteções do que outros, mas gestores de ativos ainda precisam encontrar seu próprio teste decisivo para evitar padrões falsos em ESG.

“O que sempre buscamos é ter credibilidade no emissor, queremos ver planos confiáveis em toda a transição do emissor”, disse Ruest.

Mas há uma linha segundo a qual empresas de mercados emergentes têm, na verdade, menos probabilidade de serem acusadas de greenwashing do que seus pares nos mercados desenvolvidos.

Isso porque estão sob menos pressão para divulgar métricas ESG e não estão acostumadas a fingir que são mais virtuosas do que realmente são, de acordo com Karine Hirn, sócia-fundadora e diretora de sustentabilidade da East Capital, em Estocolmo.

Mercados de fronteira tendem a fornecer oportunidades “incríveis” para investidores ativos com foco em ESG, disse Hirn. Ela desenvolveu um sistema de classificação que mede a transição esperada de uma empresa rumo a um modelo de negócios mais sustentável para orientar as decisões de investimento.

Em vez de buscar nomes estabelecidos, diz: “Você quer investir em empresas que estão melhorando em termos de ESG”.

Fonte: Bloomberg

 

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