Bioinsumos: um passaporte para a bioeconomia pós pandemia de covid-19

Uma das principais pressões que os ecossistemas sofrem é provocada pelo desenvolvimento do agronegócio. Seja pelo avanço das áreas agricultáveis ou de pasto ou pelo uso indiscriminado de agrotóxicos, o meio ambiente paga um elevado preço pela necessidade que temos em alimentar quase 8 bilhões de pessoas.

Os agrotóxicos são produtos químicos utilizados para eliminar pragas, doenças ou plantas invasoras que possam diminuir a produtividade de culturas agrícolas. Apesar deles proporcionarem incremento na produção de bens agrícolas, há uma série de impactos negativos que são causados pelo uso intensivo destas substâncias, como contaminações de rios e de lençóis freáticos, perda da fertilidade do solo, redução da biodiversidade e de populações de insetos benéficos.

Por isso, diante do constante desafio de aumentar a produção agrícola sem causar maiores danos ambientais surgem os Bioinsumos.

São considerados como Bioinsumos todos os defensivos e inoculantes agrícolas obtidos a partir de recursos biológicos. A produção de Bioinsumos, bem como a sua utilização, são exemplos de atividades bioeconômicas por capturarem valor a partir de processos biológicos e biorrecursos para produzir saúde, crescimento e desenvolvimento sustentável através da agroindústria.

O Brasil já possui 580 Bioinsumos registrados e disponíveis para consumo e aplicação. A tendência é que este número aumente ainda mais e que esse segmento se torne uma grande oportunidade para a retomada, de forma sustentável, do crescimento econômico do país na pós-pandemia do COVID-19.

Em 27 de maio de 2020, o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) lançou o Programa Nacional de Bioinsumos, visando a ampliação e o fortalecimento da utilização de Bioinsumos para o desenvolvimento sustentável da agropecuária nacional.

A aplicabilidade dos Bioinsumos é bastante ampla, englobando:

  • Produção Vegetal:
    • Controle de pragas e doenças;
    • Fertilidade do solo, nutrição de plantas e estresses abióticos;
    • Manejo de espécies vegetais;
  • Produção Animal:
    • Saúde;
    • Alimentação;
    • Aquicultura;
    • Manejo de animais;
  • Pós-colheita e Processamento:
    • Pós-colheita de produtos de origem vegetal;
    • Processamento de produtos de origem animal e vegetal.

O Programa Nacional de Bioinsumos está dimensionado para empreendimentos agrícolas de todos os portes e pretende fomentar a pesquisa, o desenvolvimento e a inovação em Bioinsumos, tais como os projetos de agricultura sustentável e de baixo carbono e do hotel para insetos apoiados pelo Instituto SER.

Apesar das incertezas que vivemos atualmente, o Programa Nacional de Bioinsumos vem como uma chuva esperada, e apresenta uma possibilidade para a transformação do agronegócio em um setor mais sustentável, abrangente e dinâmico e, que em tempos de crise, novamente, será o motor que impulsionará a economia brasileira.

Por Rubia Elaine Moisa

[DISPLAY_ULTIMATE_SOCIAL_ICONS]

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *